quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Sei lá

Se não me consigo livrar
Destes sentimentos
Porque eles não me matam duma vez

Ou transformar-me em pedra
Nunca mais sentir ou imaginar
Porque o coração parte-se tanto e tanto
Que se transforma em pó

E se não vale a pena sentir
E é inútil eu existir
Porque estes sentimentos não me deixam em paz?

Então vou ficar com eles
Guardá-los numa gaveta e ignorá-los
Ignorar-me a mim também
Na minha irrelevância

Convenhamos
Nada pode ter assim tanta importância

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Dizer-te olá


Ficas no meu pensamento o tempo todo
Minha inspiração
Meu ladrão de concentração
como uma corrente que flui e me prende
E me faz ir embora

Porque o tempo passou e perco a coragem
Tento me aproximar
Mas é insuportável estar perto de ti
E a saudade que me mata quando tenho de me afastar
És tão frio que tenho medo de te tocar
Como queria poder-te abraçar

Mas o tempo passou
e já não tenho coragem de nadar
Então já só consigo dizer olá

ao Mar

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Trava Línguas

O tempo perguntou ao tempo, quanto tempo o tempo tem.
O tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem.
E eu perguntei ao tempo se o tempo tem tanto tempo quanto tempo tenho eu
para esperar que o tempo tenha de levar o que só o tempo pode destruir.
Porque o tempo trava-me a lingua e não há tempo que o tempo tenha
que me faça recuperar o tempo que eu perdi à espera
que o tempo me fizesse parar de pensar em ti.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Porque sonhos.

Eu tenho os sonhos
que não me atrevo sonhar
E os olhos postos
no que não me atrevo a olhar

Só queria que os sonhos fossem só sonhos
Chegassem de noite e desaparecessem de dia
Porque os sonhos que me atormetam acordada
São sonhos que não servem para nada

Eu tenho sonhos que me deixam tonta
E derretem o meu cérebro até me desfazer o pensamento
Tenho mais que fazer, mais em que pensar
Mas os sonhos me roubam o alento

Eu tenho sonhos e só me atrevo a imaginar
Mas assim que imagino é impossível de acontecer
Só um milagre faria os sonhos deixarem de ser sonhos
E sonhos realidade passassem a ser

Não quero mais sonhos
que não me atrevo a sonhar
Já não quero sonhos
Não quero sonhar....

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Em título

Podes sofrer, aprender, cair e levantar de novo
Podes lamber as feridas, reabrir cicatrizes, esquecer as mágoas e resolver conflitos
Podes chorar, sorrir
perder, ganhar
renascer e Evoluir

Podes expandir os horizontes, lutar pelo futuro
Podes passar por tudo e por todos
voltar atrás e fazer de novo

Mas algumas coisas nunca mudam.

terça-feira, 8 de março de 2016

Não tens saudade?

Não tens saudades?
De enterrar as mãos na terra
E andar descalça
Ser uma princesa que berra
Ser livre de não ser falsa

E correr sem técnica nem direção
Perder a graça
Rir que nem uma desalmada
Ser heroína aclamada
De seguir o seu coração

E sofrer segura que a dor
É o mesmo que amor
E ter aquela força interior
De saber o próprio valor

Não tens saudades?
De cantar para ninguém
Cair no chão e levantar
E cair outra vez
Ser outro alguém
E representar
Que não é aquela altura do més

De descansar a cabeça nos pés
Fazer mal o pino e dar cambalhotas
Sem preocupar com fés ou contar até dez
E seres responsável por como te comportas

Não tens saudade
De ter saudade
e ser saudade?

sábado, 23 de janeiro de 2016

Postal antes do tempo...


Envia-me um postal do inferno
Um inverno antigo me corre nas veias
Um milhão de tareias e um sinal de perigo

O abrigo escasseia nesta tempestade
Que destrói sem se manifestar
Que afoga sem afogar
Que ama sem amar
E só sobra o mar
E uma realidade

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

E agora?

Há uma força à espera
De sair
Há uma fera contente
Por cair

Dente por dente
Olho para o passado
Como uma narrativa doente

Esquecido e perdoado
E o futuro não é merecido
Nem bem criado

Não sabemos bem
Mas a esperança
Fica também
À espera de sair
E esta criança
Já não se importa
De cair

terça-feira, 6 de outubro de 2015

The Sun of Sorrow

I’m sorry sun

You were my daughter
My sister, my best friend
There’s nothing on this Earth
It will make me understand
Why you are now dirt

I’m sorry sun

Your voice pierced softly through my ears
Like beams of light through a clouded sky
And now I hope for you in my tears
And your tail hasn’t waved me goodbye

I’m sorry sun

You were the freedom
That always came home
We had so much love and so much fun
But now the sun won’t come…


I’m sorry sun


terça-feira, 29 de setembro de 2015

Instantes



Talvez
Já passou para outro lugar
Uma memória distante
Talvez
Seja fútil esperar
Por um instante

É certo que a água flutua
E faz flutuar
Que as ondas do tempo são eternas
E as brisas são palavras ternas
É certo que a lágrima é tua
Mas agora pertence a outro mar


Fotografias de Vitor Lomba
GIFs criados por moi

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

De um Banco de Jardim


E se eu fosse assim
Como um banco de jardim
Sentar-te-ias em cima de mim?

Provavelmente descansarias
E deixar-me-ias aqui
E nem repararias
O quão belo eu sou sem ti

As pessoas vão e vêm
Os que sabem tudo
E os que nada têm

Não há como fugir
Nem por o que tentar
Não há porque sorrir
Nem por o que chorar

Palavras perdidas
Emoções esquecidas
Por entre árvores e sombra
E o que quer que o chão esconda

Há milhares de coisas
que poderia dizer
sobre um simples banco de jardim

Contar cada história
E cada fantasia
Relembrar cada glória
E cada agonia

Sentir muito desespero
E muita as esperança
Viver para o eterno
De cada a mudança

Mas aí poder-me-ia esquecer
Porque comecei a escrever
Como eu me sinto assim
como este simples banco de jardim

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Coroação Astral


Ela tinha o pêlo mais macio
De todo o reino
Um olhar profundo e conquistador
E um coração cheio
De amor

Ela é primogénita do sol
Comandante da escuridão
E das estrelas
A companhia e a solidão
Possuí o dom de entendê-las




Dona do seu próprio trono
Seja feita a sua vontade
Porque a sua imponência
Não deve ser
Confundida com vaidade

Dança, Rainha, dança
Guia o vento e as plantas
Orgulhosa
Enquanto cantas

Caminha sobre mim
Adormece em mim
Existe de mim

Te encontrarei em sonhos,
Rainha.



quinta-feira, 9 de julho de 2015

Não consigo dormir...

Estou vazia
E não consigo dormir
A noite é fria
E não consigo dormir

É quente também
É húmida e seca
Cheia de sensações
Que não pertencem a ninguém

As marés estão estagnadas
E eu só imploro por mudança
Já não choro nem dou risadas
Não sou velha nem criança

Tenho sono
Mas não consigo dormir
Não tenho dono
E não consigo dormir

A esperança escasseia
E aquela felicidade pela qual o coração anseia
Despede-se dos sonhos e dos desejos
Porque já não valem os abraços
e não regressarão os beijos

Então não me falta nada
E não consigo dormir
Já estou para lá de desesperada
E não consigo dormir

Quero poder e criar
Energia para desenhar
E pintar um novo mundo

Quero escavar e revoltar
Coragem para revelar
O que se esconde bem lá no fundo

Quero inventar
e correr e saltar
Quero ânimo e dançar
E não consigo acordar

domingo, 31 de maio de 2015

Ou 8 oU 80

E eles vão dizendo
Só falo a quem me fala
Só desejo os parabéns
a quem mos deseja
Só gosto
de quem gosta de mim

E pensa agora
se o outro pensar assim
E noutra hora

Só gostaremos
de ti
Se gostares de ti própria
Não mintas
Mas a verdade é postura imprópria

E se não aprendermos ainda
Se não recebemos
Não ensinamos
Não daremos

Então ninguém se gosta
Ninguém encosta
ou desencosta

Ninguém vem
Então alguém vai
Alguém dá e não recebe
Alguém paga e não cobre
Mesmo que chova
Mesmo que sobre

Alguém tem de falar primeiro
Alguém tem de responder depois
Alguém tem de amar primeiro
Mas ninguém tem que amar depois

O que se faz é o caminho do meio
E se o meio for tão vazio
Que tudo aquilo em que creio
Se torne horrivelmente frio...

domingo, 15 de março de 2015

O meu Feioso

Aperta os lábios
Não permitas a formação de sons
Abre os olhos sábios
E despede-te dos tons

Pensa tanto
Que o cérebro já não cabe na testa
Conta a esse manto
Como se faz uma festa

Rasga os riscos
Que se fazem rugas
Voam os piscos
Que roubam as peúgas

Salta para a lama
E arranha o tronco morto
Que se tornou em chama
Dentro desse coração torto

De tanto rio que choro
Ao ver-te seu remeloso
Mas por algum motivo te adoro
 Ó meu feioso




quinta-feira, 12 de março de 2015

Entre o sofá e a almofada


Procura-me
para lá da noção do tempo
Onde a estrada acaba
E a ironia começa

Procura-me
para lá da direcção da razão
Onde a luz é vaga
E a segurança tropeça

Procura como dar vazão
Às cores de não fogem
E torturam a alma

Procura o vagão
Que te atirou para o lado
Largou a mão e rasgou a palma

Agarra-te
Aqui e agora
Sem pressa e sem demora
De ficar

Eu não fico
Vou-me perder
E descobrir o que está para lá da imaginação
Cada rosto, cada gesto, cada corpo e cada sensação

Procura e nada encontrarás
Talvez vestígios de consciências passadas
Larga e te perderás
No olhar de bestas iluminadas



quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Semear...

Já ouvi dizer
Tudo o que a gente semeia
A gente há-de colher

Mas aí chega uma minhoca
Dorminhoca que passeia
Come a semente, e ela não germina
Minúscula vida que logo termina

Então o que semeamos
Nem sempre colhemos
Nem tudo o que esperamos
É o que recebemos

E se semeamos ventos
Talvez não venha a tempestade
Talvez chegue uma brisa
E a falta de vontade

Então semeamos
Contra o tempo e contra o espaço
Então plantamos
Um mundo inteiro
E colhemos um pedaço


quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Irreconhecível


Lembro-me bem
Memórias de menina
De gente pequenina
E saudades de quem?

Não sei bem porquê
Mas lembro-me de sorrir
Mas não sei de quê

Sei que tinha companhia
Durante grande parte do dia
E depois acabou
Nem sei bem como começou

Para onde foi o tempo
Esse tempo entre o plural e o singular
Quem comeu o tempo
E porque não consigo lembrar?

Foi a idade? Foi alguém?

Fui eu?

Tenho saudades de quem
E não sei o que aconteceu