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Sangro

Não sei porque momento o mundo me engoliu Sei que não estou nele nem em lugar algum Não sei em que  momento o ânimo fugiu Sei que sangro o tempo todo à espera de algum Sei que sangro, o tempo todo Sei que a ferida não fecha Mas não sei porque momento me tornei lodo A coagulação não acontece E o meu corpo não aquece De tanto que sai por essa brecha

Molha-me....

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E dizem: Não andes à chuva que te molhas Mas eu já estou molhada A chuva é minha amiga Em tempos de cólera E afinal eu já estou molhada  Os carros passam na estrada Correm as poças com a roda Mas eu já estou molhada Talvez possas pensar Que eu não valho nada Porque afinal Eu já estou molhada A chuva cai e sinto O carinho do seu toque frio E eu já estou molhada E que importa Se caio no rio Porque afinal eu Já estou molhada

Não tens saudade?

Não tens saudades? De enterrar as mãos na terra E andar descalça Ser uma princesa que berra Ser livre de não ser falsa E correr sem técnica nem direção Perder a graça Rir que nem uma desalmada Ser heroína aclamada De seguir o seu coração E sofrer segura que a dor É o mesmo que amor E ter aquela força interior De saber o próprio valor Não tens saudades? De cantar para ninguém Cair no chão e levantar E cair outra vez Ser outro alguém E representar Que não é aquela altura do més De descansar a cabeça nos pés Fazer mal o pino e dar cambalhotas Sem preocupar com fés ou contar até dez E seres responsável por como te comportas Não tens saudade De ter saudade e ser saudade?

Postal antes do tempo...

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Envia-me um postal do inferno Um inverno antigo me corre nas veias Um milhão de tareias e um sinal de perigo O abrigo escasseia nesta tempestade Que destrói sem se manifestar Que afoga sem afogar Que ama sem amar E só sobra o mar E uma realidade

Instantes

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Talvez Já passou para outro lugar Uma memória distante Talvez Seja fútil esperar Por um instante É certo que a água flutua E faz flutuar Que as ondas do tempo são eternas E as brisas são palavras ternas É certo que a lágrima é tua Mas agora pertence a outro mar Fotografias de Vitor Lomba GIFs criados por moi

De um Banco de Jardim

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E se eu fosse assim Como um banco de jardim Sentar-te-ias em cima de mim? Provavelmente descansarias E deixar-me-ias aqui E nem repararias O quão belo eu sou sem ti As pessoas vão e vêm Os que sabem tudo E os que nada têm Não há como fugir Nem por o que tentar Não há porque sorrir Nem por o que chorar Palavras perdidas Emoções esquecidas Por entre árvores e sombra E o que quer que o chão esconda Há milhares de coisas que poderia dizer sobre um simples banco de jardim Contar cada história E cada fantasia Relembrar cada glória E cada agonia Sentir muito desespero E muita as esperança Viver para o eterno De cada a mudança Mas aí poder-me-ia esquecer Porque comecei a escrever Como eu me sinto assim como este simples banco de jardim

Não consigo dormir...

Estou vazia E não consigo dormir A noite é fria E não consigo dormir É quente também É húmida e seca Cheia de sensações Que não pertencem a ninguém As marés estão estagnadas E eu só imploro por mudança Já não choro nem dou risadas Não sou velha nem criança Tenho sono Mas não consigo dormir Não tenho dono E não consigo dormir A esperança escasseia E aquela felicidade pela qual o coração anseia Despede-se dos sonhos e dos desejos Porque já não valem os abraços e não regressarão os beijos Então não me falta nada E não consigo dormir Já estou para lá de desesperada E não consigo dormir Quero poder e criar Energia para desenhar E pintar um novo mundo Quero escavar e revoltar Coragem para revelar O que se esconde bem lá no fundo Quero inventar e correr e saltar Quero ânimo ...

Ou 8 oU 80

E eles vão dizendo Só falo a quem me fala Só desejo os parabéns a quem mos deseja Só gosto de quem gosta de mim E pensa agora se o outro pensar assim E noutra hora Só gostaremos de ti Se gostares de ti própria Não mintas Mas a verdade é postura imprópria E se não aprendermos ainda Se não recebemos Não ensinamos Não daremos Então ninguém se gosta Ninguém encosta ou desencosta Ninguém vem Então alguém vai Alguém dá e não recebe Alguém paga e não cobre Mesmo que chova Mesmo que sobre Alguém tem de falar primeiro Alguém tem de responder depois Alguém tem de amar primeiro Mas ninguém tem que amar depois O que se faz é o caminho do meio E se o meio for tão vazio Que tudo aquilo em que creio Se torne horrivelmente frio...

O meu Feioso

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Aperta os lábios Não permitas a formação de sons Abre os olhos sábios E despede-te dos tons Pensa tanto Que o cérebro já não cabe na testa Conta a esse manto Como se faz uma festa Rasga os riscos Que se fazem rugas Voam os piscos Que roubam as peúgas Salta para a lama E arranha o tronco morto Que se tornou em chama Dentro desse coração torto De tanto rio que choro Ao ver-te seu remeloso Mas por algum motivo te adoro  Ó meu feioso

Entre o sofá e a almofada

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Procura-me para lá da noção do tempo Onde a estrada acaba E a ironia começa Procura-me para lá da direcção da razão Onde a luz é vaga E a segurança tropeça Procura como dar vazão Às cores de não fogem E torturam a alma Procura o vagão Que te atirou para o lado Largou a mão e rasgou a palma Agarra-te Aqui e agora Sem pressa e sem demora De ficar Eu não fico Vou-me perder E descobrir o que está para lá da imaginação Cada rosto, cada gesto, cada corpo e cada sensação Procura e nada encontrarás Talvez vestígios de consciências passadas Larga e te perderás No olhar de bestas iluminadas

Semear...

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Já ouvi dizer Tudo o que a gente semeia A gente há-de colher Mas aí chega uma minhoca Dorminhoca que passeia Come a semente, e ela não germina Minúscula vida que logo termina Então o que semeamos Nem sempre colhemos Nem tudo o que esperamos É o que recebemos E se semeamos ventos Talvez não venha a tempestade Talvez chegue uma brisa E a falta de vontade Então semeamos Contra o tempo e contra o espaço Então plantamos Um mundo inteiro E colhemos um pedaço

Irreconhecível

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Lembro-me bem Memórias de menina De gente pequenina E saudades de quem? Não sei bem porquê Mas lembro-me de sorrir Mas não sei de quê Sei que tinha companhia Durante grande parte do dia E depois acabou Nem sei bem como começou Para onde foi o tempo Esse tempo entre o plural e o singular Quem comeu o tempo E porque não consigo lembrar? Foi a idade? Foi alguém? Fui eu? Tenho saudades de quem E não sei o que aconteceu

Feliz 2015!!!!

Eu não vou desistir do ideal Porque eu sei que ele não chega E que eu não chego também Mas talvez não faça por mal Que o medo me cega E luz não há por bem Não vou desistir de mim Nem deixar de ser assim Não vou julgar o que aqui está Porque o que será, será Quero lutar Mas as armas não me pertencem Quero sonhar Mas os pesadelos ainda me vencem Quero conhecer o futuro Quando ele chegar Quero ser fruto maduro Mas não vou desistir de brincar Quero uma boa vida Para todos os que conheço Quero a terra prometida Mas não a mereço Não quero ser reconhecida Nem que me ofereçam o coração Quero uma mão estendida Por nenhuma razão E se a razão fosse frágil Também é a defesa deste frágil universo E para me tornar ágil Agora me despeço

Mundo Perfeito

Será que consegues descobrir se o mundo é perfeito? Ou se és um perfeito parvalhão à procura de uma razão para viver neste mundo? É assim que começa Com as cantigas das tradições de uma identidade intacta Com as certezas das definições de uma sociedade que ainda mata E se te assustam os furões Furas o caminho para fora daqui Vá, tu consegues! Esquece-te de ti! Lava as histórias e a ficção Com o suor das memórias e da ilusão De uma experiência que já não existe Só uma única coisa fica: Aquilo que já sentiste.

Chove chove....

Chove e chove e Sobe a alma Lá para o fundo do jardim E corre vento sobre a calma Que se apodera de mim As melodias tocam pedras A terra húmida chama vida Chama que arde suas perdas Numa arte já vencida Esquece o trato com o planeta Já é imenso o Universo Trata de encontrar o cometa Que desfaz em pó um novo verso Velho é o céu e as estrelas Cá os passos são de bebé É difícil entendê-las Mas as entranhas sabem como é E se estranhas Estas palavras diferentes Talvez poderás perceber Que existem muitas frentes Frentes de verdade e de razão De vaidade e de coração Mas se vai a felicidade de estar aqui Enfrenta esse mundo que eu não entendi

Algo que não se veja

Já não estou aqui à procura de alguma coisa Quero e não quero Algo que não se veja Quero assistir à luz E voar para outro lado Quero esperar o desconhecido E largar o passado Quero um contente que ainda não acabou Aceito o presente que ainda não começou Não quero olhar para ti E ver o que quer que seja Porque quero e não quero Algo que não se veja Não tenho ilusões nem desilusões Espero tudo e não espero nada Não quero agarrar corações Nem encontrar a entrada Conversa comigo pela janela E fecha a porta quando saires Deixa só a aguarela Daquilo que sentires Não quero estar aqui E sinto um sonho que me beija Assim quero e não quero Algo que não se veja

Para mim...

Como eu queria que lembrasses Lembrasses de deitar Virar os olhos ao contrário  E esquecer de respirar Lembrar é difícil assim E não posso realmente pedir Para te lembrares de mim Embora, como eu queria que lembrasses Lembrasses de ir E voltar Como eu queria que a saudade Não fosse só minha para apagar E se já não voltas, não voltes mais Porque o mundo dá voltas demais E se lembrares só vou sorrir Só para te ver partir Aquela única vez é o que tenho Vejo as pessoas a tê-lo o tempo todo E aquela única vez é o que tenho Para depois cair em mim o lodo Tenho ciúmes sim De toda a gente Não é um fim Nem é inteligente A ideia de voltar para mim

Passa por aqui...

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Não peço que aceites tudo o que eu digo O quê que eu sei sobre o que quer que seja? Não quero que sigas o caminho que eu sigo Quando só a dúvida me beija Não quero que acredites em tudo o que ouves Nem sei bem se estarás a ouvir Não quero que digas tudo o que pensas Se já sabes que todos os pensamentos vão fugir Não quero que caias nas minhas crenças Quero que descubras as tuas Quer as percas ou as venças Revolve-as até ficarem nuas Não que fiques dum lado ou do outro Quero que os tentes ver os dois E se compreenderes o teu Já poderás responder ao depois Pois o mundo não gira à tua volta E só a tua alma e a tua vontade te pertencem Não são os desejos que andam à solta Mas os sacrifícios que te vencem Vencem um lugar aqui No meio do sol e da escuridão E os sorrisos que descobres É que te aquecem o coração E a alma que já não pertence a ninguém Nem ao mal nem ao bem Pertencem ao irracional Onde tudo é real Por isso quero que acredites Nos teus próprios...

... Sol

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E se eu escrever palavras na areia Alguém as apaga com desdém ou sensatez Não sei o que valem Digam vocês Mas os sentimentos ficam Aqui dentro de mim E rebolam e picam Como um areal sem fim E a tempestade começa Num mar de lágrimas doces e amargas E salga-se assim está peça De feridas cicatrizadas Não posso pedir para ficar Nem eu, nem o luar Porque os reflexos que cegam Tanto magoam como curam E a mágoa não é mar A cicatriz não é amar Se assim o fiz foi sem querer Fui guiada pelo desejo de ser...

Fúria

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Cega Enlouquece Gela E endurece a alma. Destrói a razão E perde a calma Fica parada No meio da confusão E do nada Arde e magoa. Volta para o escuro muita gente boa. Fecha num muro E o sorriso já não voa Corrói e perfura Tira o sentimento De alguma coisa pura E nesse sofrimento Já quase que tortura E quando a besta acorda Todos e ninguém concorda A besta sai de mim e vai dormir E por fim Voltarei a sorrir