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Ou 8 oU 80

E eles vão dizendo Só falo a quem me fala Só desejo os parabéns a quem mos deseja Só gosto de quem gosta de mim E pensa agora se o outro pensar assim E noutra hora Só gostaremos de ti Se gostares de ti própria Não mintas Mas a verdade é postura imprópria E se não aprendermos ainda Se não recebemos Não ensinamos Não daremos Então ninguém se gosta Ninguém encosta ou desencosta Ninguém vem Então alguém vai Alguém dá e não recebe Alguém paga e não cobre Mesmo que chova Mesmo que sobre Alguém tem de falar primeiro Alguém tem de responder depois Alguém tem de amar primeiro Mas ninguém tem que amar depois O que se faz é o caminho do meio E se o meio for tão vazio Que tudo aquilo em que creio Se torne horrivelmente frio...

O meu Feioso

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Aperta os lábios Não permitas a formação de sons Abre os olhos sábios E despede-te dos tons Pensa tanto Que o cérebro já não cabe na testa Conta a esse manto Como se faz uma festa Rasga os riscos Que se fazem rugas Voam os piscos Que roubam as peúgas Salta para a lama E arranha o tronco morto Que se tornou em chama Dentro desse coração torto De tanto rio que choro Ao ver-te seu remeloso Mas por algum motivo te adoro  Ó meu feioso

Entre o sofá e a almofada

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Procura-me para lá da noção do tempo Onde a estrada acaba E a ironia começa Procura-me para lá da direcção da razão Onde a luz é vaga E a segurança tropeça Procura como dar vazão Às cores de não fogem E torturam a alma Procura o vagão Que te atirou para o lado Largou a mão e rasgou a palma Agarra-te Aqui e agora Sem pressa e sem demora De ficar Eu não fico Vou-me perder E descobrir o que está para lá da imaginação Cada rosto, cada gesto, cada corpo e cada sensação Procura e nada encontrarás Talvez vestígios de consciências passadas Larga e te perderás No olhar de bestas iluminadas

Semear...

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Já ouvi dizer Tudo o que a gente semeia A gente há-de colher Mas aí chega uma minhoca Dorminhoca que passeia Come a semente, e ela não germina Minúscula vida que logo termina Então o que semeamos Nem sempre colhemos Nem tudo o que esperamos É o que recebemos E se semeamos ventos Talvez não venha a tempestade Talvez chegue uma brisa E a falta de vontade Então semeamos Contra o tempo e contra o espaço Então plantamos Um mundo inteiro E colhemos um pedaço

Irreconhecível

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Lembro-me bem Memórias de menina De gente pequenina E saudades de quem? Não sei bem porquê Mas lembro-me de sorrir Mas não sei de quê Sei que tinha companhia Durante grande parte do dia E depois acabou Nem sei bem como começou Para onde foi o tempo Esse tempo entre o plural e o singular Quem comeu o tempo E porque não consigo lembrar? Foi a idade? Foi alguém? Fui eu? Tenho saudades de quem E não sei o que aconteceu

Feliz 2015!!!!

Eu não vou desistir do ideal Porque eu sei que ele não chega E que eu não chego também Mas talvez não faça por mal Que o medo me cega E luz não há por bem Não vou desistir de mim Nem deixar de ser assim Não vou julgar o que aqui está Porque o que será, será Quero lutar Mas as armas não me pertencem Quero sonhar Mas os pesadelos ainda me vencem Quero conhecer o futuro Quando ele chegar Quero ser fruto maduro Mas não vou desistir de brincar Quero uma boa vida Para todos os que conheço Quero a terra prometida Mas não a mereço Não quero ser reconhecida Nem que me ofereçam o coração Quero uma mão estendida Por nenhuma razão E se a razão fosse frágil Também é a defesa deste frágil universo E para me tornar ágil Agora me despeço

Meu Astro Azul

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Marreco matreiro Comilão e brincalhão Foste o primeiro A causar sensação Nessa batalha de crescer Sempre à procura De quem quererias ser Meiguinho e pequenino Mas guloso e mais que fino Sempre de entusiasmo arrebitado E com o focinho arregalado De ver alguém E sempre a fugir das mãos de ninguém Príncipe entre princesas Infância pura e de pestanas acesas E o pouco que dura bem sei Nunca te esquecerei